{"id":19181,"date":"2026-04-27T10:53:41","date_gmt":"2026-04-27T13:53:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.direito.ufmg.br\/?p=19181"},"modified":"2026-04-27T10:54:50","modified_gmt":"2026-04-27T13:54:50","slug":"chamada-para-insubmissoes-dossie-no-14-lutar-sem-arkhe-2o-semestre-de-2026-dossie-organizado-por-fransuelen-silva-ufmg-e-erwan-sommerer-universite-dangers","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.direito.ufmg.br\/?p=19181","title":{"rendered":"[Chamada para (in)submiss\u00f5es] Dossi\u00ea n\u00ba 14 \u2013 Lutar sem arkh\u00e8 (2\u00ba semestre de 2026) | Dossi\u00ea organizado por Fransuelen Silva (UFMG) e Erwan Sommerer (Universit\u00e9 d\u2019Angers)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-indent: 40px; text-align: justify;\">Recebimento de trabalhos sob a forma de artigos cient\u00edficos, ensaios, resenhas,<br \/>\nentrevistas, textos liter\u00e1rios, imagens ou outros formatos que reflitam sobre a tem\u00e1tica, at\u00e9 30<br \/>\nde novembro de 2026.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 40px; text-align: justify;\">Como pensar, mobilizar-se e lutar quando se est\u00e1 suspenso no vazio?<\/p>\n<p style=\"text-indent: 40px; text-align: justify;\">Reiner Sch\u00fcrmann, em Le Principe d\u2019anarchie, nos convoca a romper com a tradi\u00e7\u00e3o<br \/>\nmetaf\u00edsica ocidental da arkh\u00e8, isto \u00e9, com a estrutura que articula origem e comando. Em<br \/>\ncada \u00e9poca, essa estrutura organizou o pensamento e a a\u00e7\u00e3o a partir de diferentes formas de<br \/>\nfundamenta\u00e7\u00e3o, baseando-os em princ\u00edpios primeiros, com o objetivo de afast\u00e1-los da<br \/>\nmudan\u00e7a e da d\u00favida. Nesse contexto, o trabalho de desconstru\u00e7\u00e3o da metaf\u00edsica busca<br \/>\nliberar a a\u00e7\u00e3o de qualquer fundamento, deixando-a como que \u201csuspensa no vazio\u201d. O<br \/>\n\u201cprinc\u00edpio de anarquia\u201d designa, ent\u00e3o, o momento em que se deixa de procurar uma nova<br \/>\narkh\u00e8 que substitua a anterior e se assume o paradoxo de que o \u00fanico princ\u00edpio que sustenta a<br \/>\nteoria e a pr\u00e1tica \u00e9, justamente, a aus\u00eancia de princ\u00edpio.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 40px; text-align: justify;\">Mas \u00e9 preciso ent\u00e3o colocar a quest\u00e3o, \u00e0 qual o pr\u00f3prio Sch\u00fcrmann se dedicou sem,<br \/>\ncontudo, encontrar uma resposta propriamente dita, da possibilidade de apreender a a\u00e7\u00e3o<br \/>\npol\u00edtica a partir do prisma dessa suspens\u00e3o no vazio. Em refer\u00eancia a Arendt, ele evoca as<br \/>\nsociedades populares da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, a Comuna, os Sovietes, o conselhismo&#8230; Em<br \/>\noutras palavras, os entremeios revolucion\u00e1rios, quando a continuidade hist\u00f3rica \u00e9 rompida,<br \/>\nquando a a\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se apoia em uma tradi\u00e7\u00e3o ou em determinismos, e quando o campo das<br \/>\npossibilidades pol\u00edticas, institucionais e existenciais se abre plenamente. Nesses momentos de<br \/>\n\u201ccorte\u201d, o agir e o fazer deixam de ser comandados por um fundamento primeiro e tornam-se<br \/>\numa presen\u00e7a pura, sendo o princ\u00edpio de anarquia e o vazio aquilo que irrompe no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 40px; text-align: justify;\">Leitor atento de Sch\u00fcrmann, Miguel Abensour viu a\u00ed o momento espec\u00edfico da<br \/>\n\u201cdemocracia insurgente\u201d: ela se instala no intervalo pr\u00f3prio das revolu\u00e7\u00f5es, entre as formas<br \/>\nanteriores, quando a antiga ordem foi abolida, e as formas por vir, antes que o Estado e as<br \/>\ninstitui\u00e7\u00f5es, a ordem e a disciplina, sejam restabelecidos. Em refer\u00eancia ao anarquista Gustav<br \/>\nLandauer, ele identifica nesses momentos uma aspira\u00e7\u00e3o e uma a\u00e7\u00e3o democr\u00e1ticas hostis a<br \/>\ntoda institucionaliza\u00e7\u00e3o e que, por \u201cuma pr\u00e1tica sistem\u00e1tica, obstinada do conflito\u201d, pode<br \/>\n\u201cabrir ao agir do povo o mais vasto horizonte de possibilidades\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 40px; text-align: justify;\">Aqui, como em outros te\u00f3ricos, a liberdade passa por um anarquismo p\u00f3s-fundacional<br \/>\n(Hakim Bey, Saul Newman, Tom\u00e1s Ib\u00e1\u00f1ez, Andityas Matos etc.), por uma pot\u00eancia<br \/>\ndestituinte, evitando a realiza\u00e7\u00e3o e a recondu\u00e7\u00e3o do poder (Giorgio Agamben), em que o<br \/>\npovo aparece como o nome de um antagonismo inconcili\u00e1vel contra a forma-Estado. E<br \/>\npode-se tamb\u00e9m compreender a aus\u00eancia de princ\u00edpio como desidentifica\u00e7\u00e3o, quando as<br \/>\nidentidades impostas e hierarquizadas pelo Estado, sejam socioecon\u00f4micas, raciais ou de<br \/>\ng\u00eanero, s\u00e3o subvertidas ou anuladas, subtra\u00eddas aos procedimentos que normalmente fixam as<br \/>\nnormas de comportamento e classificam os sujeitos.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 40px; text-align: justify;\">Mas uma quest\u00e3o se coloca: como ocupar e sustentar hoje essa posi\u00e7\u00e3o? \u00c9 realmente<br \/>\nposs\u00edvel mobilizar-se e lutar sem recorrer a princ\u00edpios, sem afirmar valores ou identidades?<br \/>\nPode-se, assim, dar raz\u00e3o a Sch\u00fcrmann e a Abensour ao mesmo tempo em que nos<br \/>\nquestionamos o que \u00e9 realmente uma luta sem arkh\u00e8, que se recusa a cair na armadilha da<br \/>\ncerteza e da constru\u00e7\u00e3o de novas normas morais ou identit\u00e1rias. Uma tal luta tem exist\u00eancia<br \/>\nconcreta ou n\u00e3o passa de um conceito abstrato? Torna-se evidente, assim, que um<br \/>\n\u201cp\u00f3s-fundacionalismo da resist\u00eancia\u201d (para parafrasear bell hooks), sobretudo no contexto de<br \/>\nmobiliza\u00e7\u00f5es feministas, decoloniais ou antirracistas, n\u00e3o pode prescindir de uma reflex\u00e3o<br \/>\nsobre o uso paradoxal, ao mesmo tempo alienante e emancipador, da identidade.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 40px; text-align: justify;\">Diversas vias podem ser abertas nesse sentido. Pode-se considerar necess\u00e1rio pensar<br \/>\nem termos de essencialismo estrat\u00e9gico e admitir que a luta pode apoiar-se em princ\u00edpios ou<br \/>\nmobilizar identidades sem cair na armadilha da arkh\u00e8. Pode-se tamb\u00e9m buscar preservar a<br \/>\nfluidez e a desidentifica\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio interior do combate contra a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o,<br \/>\ncomo ocorre em certas mobiliza\u00e7\u00f5es queer, entendendo que apenas a subvers\u00e3o cont\u00ednua das<br \/>\nfronteiras identit\u00e1rias permite enfrentar a domina\u00e7\u00e3o. Pode-se, ainda, situar o agir livre<br \/>\napenas nas sequ\u00eancias de ruptura radical, insurrecionais ou insurgentes, que seriam as \u00fanicas<br \/>\nconstitutivas da comuna como rela\u00e7\u00e3o social e como puro acontecimento (Joshua Clover). De<br \/>\nmodo mais amplo, \u00e9 preciso interrogar a tens\u00e3o que surge da necessidade, por vezes, de<br \/>\nrecorrer a m\u00e9todos, isto \u00e9, a modos de pensar, procedimentos, tipos de rela\u00e7\u00f5es, ou mesmo a<br \/>\ninstitui\u00e7\u00f5es sociais ou jur\u00eddicas, vinculadas \u00e0s estruturas que se contesta ou que se deseja<br \/>\nabolir.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 40px; text-align: justify;\">Convidamos, assim, \u00e0 submiss\u00e3o de trabalhos que explorem, ao mesmo tempo, os<br \/>\nm\u00e9todos te\u00f3ricos de luta contra os fundamentos que comandam o pensamento e o agir, e os<br \/>\nm\u00e9todos pr\u00e1ticos pelos quais \u00e9 poss\u00edvel buscar libertar-se desses fundamentos no contexto de<br \/>\nmobiliza\u00e7\u00f5es concretas. Desejamos acolher contribui\u00e7\u00f5es que, em suas diversas express\u00f5es,<br \/>\nexperimentem modos de agir sem arkh\u00e8, abrindo espa\u00e7o para outras formas de exist\u00eancia, de<br \/>\ncria\u00e7\u00e3o e de vida em comum.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 40px; text-align: justify;\">Ressaltamos tamb\u00e9m que, al\u00e9m deste dossi\u00ea tem\u00e1tico, a revista (Des)tro\u00e7os recebe,<br \/>\nem fluxo cont\u00ednuo, propostas de car\u00e1ter geral relacionadas ao pensamento radical e \u00e0 linha<br \/>\neditorial do peri\u00f3dico, conforme descritas aqui:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/revistadestrocos\/about\">https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/revistadestrocos\/about<\/a>. As contribui\u00e7\u00f5es devem ser<br \/>\nsubmetidas por meio do sistema OJS, respeitando as normas de submiss\u00e3o<br \/>\n(<a href=\"https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/revistadestrocos\/about\/submissions\">https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/revistadestrocos\/about\/submissions<\/a>), at\u00e9 30 de<br \/>\nnovembro de 2026. As exig\u00eancias de titula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se aplicam \u00e0s autoras de imagens, cujas<br \/>\ncontribui\u00e7\u00f5es ser\u00e3o avaliadas exclusivamente pelo comit\u00ea editorial. As contribui\u00e7\u00f5es textuais<br \/>\nser\u00e3o avaliadas pelo comit\u00ea editorial e por meio de sistema de dupla avalia\u00e7\u00e3o cega por pares.<br \/>\nUma vez aprovados, textos e imagens ser\u00e3o publicados no d\u00e9cimo quarto n\u00famero da revista,<br \/>\ncom publica\u00e7\u00e3o prevista para o primeiro semestre de 2027.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-19182\" src=\"https:\/\/www.direito.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/14-PT_Arte-819x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"819\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.direito.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/14-PT_Arte-819x1024.jpeg 819w, https:\/\/www.direito.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/14-PT_Arte-240x300.jpeg 240w, https:\/\/www.direito.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/14-PT_Arte-768x960.jpeg 768w, https:\/\/www.direito.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/14-PT_Arte.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebimento de trabalhos sob a forma de artigos cient\u00edficos, ensaios, resenhas, entrevistas, textos liter\u00e1rios, imagens ou outros formatos que reflitam sobre a tem\u00e1tica, at\u00e9 30 de novembro de 2026. 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